
O ser e o nada
[…] meu pecado original é a existência do Outro; e a vergonha – tal como o orgulho – é a apreensão de mim mesmo como natureza, embora esta natureza me escape e seja incognoscível como tal. Não que, propriamente dito, eu sinta perder minha liberdade para converter-me em ‘coisa’, mas minha natureza está ai, fora de minha liberdade vivida, como atributo dado deste ser que sou para o outro.
Capto o olhar do outro no próprio cerne do meu ato, como solidificação e alienação de minhas próprias
possibilidades.
(O ser e o nada, p. 338)

